#06 Resenha A Seleção; Kiera Cass

Essa resenha NÃO contém spoilers!

Na metade de abril A Seleção passou um bom tempo nas trend topics do Twitter após a Netflix anunciar a compra dos direitos autorais e a produção de um filme baseado na série de livros. Em meio à euforia do meu grupo de amigas da faculdade – leitoras apaixonadas por A Seleção – decidi que seria uma boa escrever para o blog falando sobre o a série, mas com uma pandemia, movimentos sociais, home office e a imposição de um caótico sistema EAD na minha faculdade o plano do blog foi adiado de novo e de novo. Porém, agora que está tudo de fato acontecendo e eu estou publicando semanalmente, por que não falar sobre A Seleção? Afinal eu não sou sua querida continuando sendo uma frase icônica!

Acho que em algum ponto quase todo leitor de gêneros juvenis esbarrou pelo menos uma vez em A Seleção, se não leu, ao menos ouviu falar ou reconhece a marcante capa com a menina ruiva de vestido esverdeado – que aliás, acho uma capa linda. Eu mesma já tinha ouvido falar da série, mas como durante muitos anos não tive interesse em romances não dei muita bola, até que no último ano (me refiro à 2019, caso você esteja lendo isso no futuro e não em 2020) por acaso comecei a leitura em uma sexta à noite enquanto esperava para que na segunda-feira minha amiga me emprestasse o segundo livro da A Rainha Vermelha e, surpreendentemente, li A Seleção em um piscar de olhos.  

Aos que não estão familiarizados, em A Seleção a sociedade conta com uma monarquia e é dívida em castas, tal divisão define a classe social e o tipo de trabalho que cada pessoa pode desempenhar, sendo 1 o mais alto e 7 o mais baixo.  A protagonista é America Singer, uma 4, o que significa que ela vem de uma família de artistas. E então há a Seleção: um concurso para decidir quem será a próxima rainha, aquela a se casar com o príncipe herdeiro do trono.  A Seleção, além do casamento, representa uma oportunidade de mudança de vida, uma vez que a ganhadora se torna (assim como o príncipe) uma 1. 

America vive um amor proibido, o encantador Aspen é um longínquo amor de America e estão juntos há anos, porém, Aspen é de uma casta inferior e isso é um impedimento no romance deles – uma vez que implica que se eles se casarem, America será forçada a se unir à casta de Aspen e assim deixar para trás seu trabalho e passará a uma vida em situação econômica mais complicada do que a qual já convive. Enquanto Aspen aparece nos primeiros capítulos como o romance dos sonhos, ele acaba sendo um idiota fofo, quando pede para America se inscrever na Seleção, uma vez que ele queria ter certeza de que ela não se arrependeria de não participar. Após a pressão feita pela família e o pedido de Aspen, America acaba aceitando e faz a inscrição no concurso, no qual acaba sendo selecionada como participante. 

O que se segue então é um reality show no qual America e outras 34 jovens do reino são filmadas, participam de testes e ao longo do tempo o príncipe Maxon vai julgando e eliminando uma a uma, até que se tenha uma grande vencedora e ela seja aquela que irá se casar com ele e virar rainha.  America então envolve-se em um triângulo amoroso com Aspen e Maxon, tudo isso enquanto A Seleção segue rolando e revoltas e atos de terrorismo de pessoas contrárias ao regime atual aparecem por toda parte, cada vez com mais evidência e força.  

Publicado em 2012 e chegando ao Brasil no ano seguinte através da Editora Seguinte, A Seleção foi escrito pela norte americana Kierra Cass e conta ainda com quatro sequências (A Elite, A Escolha, A Herdeira e A Coroa).  Há ainda alguns contos da série disponíveis em e-book e copilados em livro físico sob o nome Felizes Para Sempre.  

Particularmente, em meus primeiros contatos com A Seleção não vi o seu potencial. Encarei a história de America Singer com menos excitação do que outras leituras que realizei na mesma época, mas foram precisar poucas páginas para me convencer do contrário. America consegue ser uma protagonista cativante, a história é bem escrita e instigante e o romance de fato tem firmes alicerces que ajudam a entender os sentimentos de America por cada um de seus pretendentes, fugindo um pouco daquela coisa comum de um é perfeito e o outro é misterioso e me seduz. Acaba mostrando-se um romance juvenil interessantíssimo para aquelas pessoas que apreciam uma boa história de amor, mas é também uma boa opção para aqueles não tão acostumados a esse tipo de leitura, já que é leve.  

Resta agora aguardar a tão esperada adaptação cinematográfica pela Netflix – discutem-se adaptações de A Seleção desde 2012, com inclusive alguns pilotos para uma série filmados pela CW. Considerando que a Netflix faça uma adaptação de qualidade tão grande quanto foi a do sucesso Para Todos os Garotos que Já Amei, podemos nos recostar e esperar com uma pipoca quentinha para o – ainda maior – sucesso mundial que vem por aí e, enquanto a adaptação não chega, se deliciar com o maravilhoso livro.  

NOTA FINAL: ★★★★☆ (4/5)

Até semana que vem e boa leitura!

Gabi.

#05 Resenha O Jogo do Amor/Ódio; Sally Thorne

Essa resenha NÃO contém spoilers!!!

Eu não sou a maior leitora quando se trata de romances. Tive minha cota, é claro, amo Para Todos Os Garotos Que Já Amei, chorei com Como Eu Era Antes de Você, entre outros. Mas não é o gênero que mais me atrai, não posso negar isso. É algo meu e de muitos anos, me ofereça um romance e uma história de terror e eu não vou hesitar em escolher a segunda opção. Porém, como comentei na primeira resenha (Corte de Espinhos e Rosas), eu estou participando do clube do livro de uma amiga minha e a nossa ideia é ler gêneros diferentes a cada mês e foi assim que me deparei com O Jogo do Amor/Ódio.

Uma publicação relativamente recente no Brasil (2017) e de – pasmem – 400 páginas, o livro conta a história de Lucy Hutton e Joshua Templeman, assistentes de CEOs de uma editora de livros que trabalham de frente um para o outro e simplesmente se odeiam! Assim mesmo, com todo o direito a ponto de exclamação. Sendo forçados a trabalhar um com o outro, a vida deles muda quando surge uma oportunidade incrível: uma promoção para um cargo novo dentro da empresa, que faria com que um mandasse no outro. Lucy e Joshua são perfeitos opostos, Lucy é animada, alegre e tem até certo nível excêntrica, enquanto Joshua é sério, calculista e meticuloso.

Para aqueles que adoram um romance com uma boa pitada de clichês, esse é sem dúvida o livro ideal. As 400 páginas com certeza não parecem 400 páginas e passam voando, tipo, é muito rápido MESMO. A linguagem é bem tranquila e a ambientação moderna dá um tom tranquilo e familiar. Um pequeno porém e um fato observado por mim e pelas minhas amigas no clube do livro é o fato de que, essencialmente, pode-se apontar a relação inicial de Lucy e Joshua imatura, apesar de compreensiva. Nada o suficiente para impedir a sua leitura, não se torna algo tóxico ou coisa do tipo. É apenas imaturidade mútua.

Outro porém e que novamente devo destacar é o fato de que esse livro contém cenas de sexo, tipo, nada em níveis extremos, não estamos falando de 50 Tons de Cinza, mas ainda é um livro de romance voltado para um público mais velho. A classificação do livro fica para aqueles com mais de 16 anos.

O Jogo do Amor/Ódio é um bom livro. Não é perfeito, mas ainda vale a leitura e tenho certeza de que muitas pessoas que eu conheço gostariam muito dele. É leve e fácil de ler e devo dizer que depois do capítulo 8 as coisas ficam realmente interessantes e prendem a atenção do leitor. Eu particularmente gostei muito da relação de Joshua com a família dele – gostar é uma palavra meio errada, considerando a relação deles no livro, mas foi interessante. E a parte do paintball foi muito boa também.

NOTA FINAL: ★★★☆☆ (3/5)

Até semana que vem e boa leitura!

Gabi.

#04 Resenha A Torre de Nero; Rick Riordan (As Provações de Apolo, livro 5)

Essa resenha NÃO contém spoilers (exceto por um breve comentário devidamente sinalizado no último parágrafo, pode ler o resto sem se estressar!).

“10 anos de muito amor, alegria, felicidades, aprendizagens (suas e nossas) e muito orgulho.” É assim que começa a dedicatória escrita pela minha mãe e devidamente assinada por ela e pelo meu pai na primeira página do meu exemplar de O Ladrão de Raios, meu presente de aniversário quando completei 10 anos. Foi assim que começou a minha história com Rick Riordan e, 10 anos e mais de 20 livros depois, eu conclui mais uma das séries dele com a leitura de A Torre de Nero.

Imagine a minha felicidade quando finalmente consegui colocar as mãos em um exemplar de O Oráculo Oculto, o primeiro volume de As Provações de Apolo, lá em 2016, logo eu filha de Apolo. Quatro anos depois, ao ver a pequena caixa de papelão chegando na minha casa, fiquei tão feliz quanto, apesar de temer o fim.

As Provações de Apolo foi uma sequência de haicais e capítulos hilários e não nego que me sinto tentada a reler tudo, apenas para me divertir um pouco mais. Em A Torre de Nero vemos uma última vez como Apolo/Lester evoluiu muito ao longo da série e, mantendo o bom humor, o fim eminente chega.

Após enfrentar os dois primeiros imperadores romanos imortais e do mal do Triunvirato, a aventura que aguarda Apolo é ainda maior, pois agora é preciso ir atrás de Nero, imperador cruel e padrasto abusivo nas horas vagas. Além, é claro, de enfrentar a antiga arqui-inimiga Píton, a cobra assustadora que vem causando problemas para todas as formas de previsão do futuro presentes na imensidão do mitologia greco-romana e depois ainda dar um jeito de recuperar sua imortalidade e status divino. De volta a Manhattan e ao Acampamento Meio-Sangue, o ex-deus e sua mestra filha de Deméter têm uma nova profecia e a ajuda de alguns heróis já conhecidos (e alguns até então desconhecidos) na sua jornada contra Nero.

Eu adorei o livro. Ok, vamos ser sinceros, qualquer que me conheça ou já me ouviu falando sobre os livros de Riordan esperava isso. Acho que nunca li um livro dele que eu tenha dito nossa, odiei! e, acredite, eu li O Sangue do Olimpo e ainda gostei. Ao longo dos anos Riordan deu suas escorregadas, não posso negar, existem momentos em que ele escreve livros que são apenas bons, não algo que eu AME enlouquecidamente, mas, orgulhosamente, acompanhei o quanto ele evoluiu com os passar dos anos. Aos que não sabem, As Provações de Apolo foram sendo lançadas de forma intercalada com Magnus Chase e os Deuses de Asgard e ouso dizer que essas duas sagas são os melhores trabalhos do autor – mas vou deixar para falar de Magnus em outro momento, porque eu com toda certeza me estenderia e isso ia se tornar algo longo demais.

Ao longo dos cinco livros houve uma consistência maravilhosa de nível e qualidade do humor nos livros de Apolo, bem como desenvolvimentos muito bons dos personagens – principalmente Meg e Apolo. Destaco também a participação maravilhosa e perfeita de alguns dos meus queridinhos nesse último livro: Nico Di Angelo, Will Solace e Rachel Elizabeth Dare.

Qualquer leitor do nosso querido Tio Rick sabe que ele tem uma fórmula que é mais ou menos seguida em todos os seus livros e nesse ele a executa muito bem, fazendo um livro leve, divertido, com seus devidos momentos de tensão e uma história deliciosa. Definitivamente, A Torre de Nero vem como uma conclusão perfeita e ideal para a odisseia de Apolo.

Se você não quer receber spoilers é aqui que nos despedidos, até a próxima e boa leitura! Mas para aqueles que são ansiosos demais, simplesmente não ligam para spoilers ou apenas querem saber minha opinião aprofundada em pontos específicos da história, é só continuar descendo.

NOTA FINAL: ★★★★★ (5/5)

SPOILERS COMEÇAM AQUI!

Ok, vamos do princípio: eu surtei com Tio Rick nos entregando nas nossas mãos alguns detalhes para a próxima saga e isso é o que eu mais quero falar. Percebi os primeiros sinais quando surgiu a informação de que Quíron tinha saído para uma reunião sobre uma cabeça flutuante e um gato, fala sério, isso é uma óbvia referência aos livros de Magnus Chase e As Crônicas dos Kane, respectivamente. E toda a preocupação de Nico com um titã no mundo inferior liga direto com uma reclamação que eu já vi muito por aí: o titã Bob (anteriormente conhecido como Jápeto) que segue preso no Tártaro! E, no final então, Rachel entregando uma profecia novinha para Nico e Will. Eu não tenho palavras para descrever o quanto eu me sinto animada e ansiosa para isso, Nico Di Angelo é meu personagem favorito há longos 10 anos! Vai ser incrível ter ele finalmente ocupando o posto de protagonista.

Sobre Apolo: eu li o livro inteiro sem ter certeza do fim. Às vezes é possível ter uma ideia do que esperar, eu esperava que Apolo fosse vencer Nero e Píton, isso era óbvio. Mas a pergunta para a qual eu não sabia o que esperar era: Apolo voltaria a ser um deus? Apesar do meu desconforto imenso em imaginar o panteão com apenas 11 deuses, eu ainda enxergava de forma gritante a mudança pela qual Apolo passou que o colocou em um novo nível, totalmente diferente. Apolo cumpriu sua promessa a Jason, ele se lembrava em todos os momentos como é ser humano e a hesitação, a preocupação de ter ficado muito tempo apagado e ter perdido séculos, a promessa de permanecer ao lado de Meg. Apolo se tornou cada vez mais humano e ele estava pronto SIM para desistir de sua imortalidade se fosse por um bem maior. Apolo se tornou um personagem incrível e tenho certeza de que essa mudança vai influenciar diretamente o universo dos livros.

Por último, mas não menos importante, eu queria comentar a aparição final de Piper: eu não esperava isso, eu real não percebi nenhuma dica nos livros anteriores, então fiquei realmente surpresa (de uma maneira positiva) de ver Piper iniciando um novo relacionamento e esse relacionamento sendo com uma menina. Acho importantíssimo que Rick Riordan traga, mais uma vez, essa diversidade e representatividade em suas histórias, agora para uma das personagens centrais.

Eu me sinto triste por ter que deixar As Provações de Apolo para trás, de verdade. Foi uma série que eu gostei muito e eu amei ver outros filhos de Apolo (eu amo a Kayla e o Austin, sério), é um fato, Apolo por vezes nos livros anteriores teve atitudes fúteis, afinal ele é um dos deuses e, enquanto isso serviu de apoio cômico ao longo desses livros, isso também acabou servindo pra que ele fosse o protagonista mais interessante de se acompanhar. Falando especificamente do universo greco-romano, Percy se desenvolveu rapidamente como um herói, Jason já era um herói no começo de Heróis do Olimpo, mas Apolo foi um personagem muito mais fácil de se conectar porque ele não era um herói, ele se assustava com os monstros, era fraco, dependia da Meg pra sobreviver da mesma maneira como (provavelmente) todos nós (nunca se sabe, vai que você aí que tá lendo é capaz de lutar com espadas ou escalar uma parede que escorre lava como a do Acampamento Meio-Sangue), eu gostei muito de ter um protagonista que acima de tudo era humano. E fiquei imensamente satisfeita com a promessa final de Apolo: ele sempre estará aqui para nós.

Aos que chegaram até aqui, até a próxima semana e boa leitura!

Gabi.

#03 Resenha Corte de Asas e Ruínas ; Sarah J. Maas (ACOTAR vol. 3)

Essa resenha NÃO contém spoilers de Corte de Asas e Ruínas, nem de nenhum dos livros anteriores!!!

Nunca é fácil dizer adeus a uma história que amamos. Dar adeus às Cortes com toda certeza foi difícil, ainda assim, Corte de Asas e Ruína é um final digno de uma história tão boa como a de Feyre Archeron.

Eu estava ansiosa quando comecei, não posso de forma alguma negar isso. Muitas vezes essa ansiedade não é nada boa, ela nos faz criar expectativas altas e acabamos nos decepcionando, mas mais uma vez e eu sou eternamente grata por isso, ACOTAR foi além das minhas expectativas.

Após o final super tenso em Corte de Névoa e Fúria, as coisas caminham de forma um pouco mais lentas, mas nem por isso menos enervantes ao longo da primeira parte do livro. Com destaque para um certo personagem finalmente tomando vergonha na cara e agindo de maneira correta, sim, eu guardo rancor de personagens. A história se desenvolve em um ritmo ótimo, com personagens e lugares novos como é de praxe, reviravoltas ao melhor estilo da série e susto atrás de susto com o futuro incerto. É, entre os três livros, sem dúvida o mais imprevisível, com destaque para a parte três que me deixou chocada e em um frenesi para terminar a história que foi incontrolável.

Dando continuidade ao que fez em Corte de Névoa e Fúria, Sarah J. Maas segue com um trabalho impecável na evolução e no desenvolvimento de personagens e as descrições do mundo de ACOTAR seguem com a mesma maestria que traz desde o primeiro livro. Meus elogios feitos à autora anteriormente permanecem intocados com esse volume e não vejo necessidade de repetir tudo aqui, vocês já leram isso antes – ou, se não leram, por favor, dirijam-se às minhas resenhas #01 e #02.

Um detalhe que eu gostaria de trazer e que é novo aqui é o fato de que nesse livro nós finalmente vamos de verdade para batalha, há uma guerra e ela é grande – nada que não tenha sido esperado caso você já tenha lido os dois primeiros livros. Mas o que me surpreendeu foi o fato de que essas guerras não foram chatas. Como leitora ávida há muitos anos, eu já li muitas cenas de batalha e devo dizer, sem citar exemplos porque não vejo necessidade de jogar shade algum aqui, é comum encontrar cenas de batalhas que são chatas e cansativas e que fazem o leitor ficar de saco cheio. A verdade é que cenas de batalha não são fáceis de escrever, mas em Corte de Asas e Ruínas isso é muito bem feito, obrigada!

Um aviso importante sobre esse livro é a inevitável necessidade de lencinhos para secar as lágrimas, eu acho que não chorava tanto assim com um livro desde O Labirinto de Fogo (As Provações de Apolo, livro três, Rick Riordan). Esse livro partiu meu coração em mil pedacinhos em várias partes, então se preparem. E apesar das pontas soltas deixadas, elas tem objetivos, é claro. Indo além da trilogia, existe um livro extra chamado Corte de Gelo e Estrelas, mas falaremos dele apenas no futuro.

De modo geral, eu diria que Corte de Asas e Ruínas é uma das minhas conclusões favoritas – ficando atrás do meu queridinho A Esperança. É incrível e surpreendente, com altas chances de causar lágrimas a qualquer um que tenha se apegado aos personagens e ao incrível mundo de Feyre.

NOTA FINAL: ★★★★★ (5/5)

Até semana que vem e boa leitura!

Gabi.

#02 Resenha Corte de Névoa e Fúria; Sarah J. Maas (ACOTAR vol. 2)

Essa resenha NÃO contém spoilers de Corte de Névoa e Fúria, mas CONTÉM spoilers leves do PRIMEIRO livro!!!

Ao longo dos anos, meu gosto pessoal demonstrou um curioso padrão no que diz a respeito da leitura de séries ou sagas: o segundo livro sempre é o meu menos favorito. E sou extremamente feliz em compartilhar a informação de que Corte de Névoa e Fúria quebrou esse padrão da melhor maneira possível: evoluindo.

Falando sobre a parte teórica, o que uma sequência deve fazer? Uma sequência tem – ou deveria ter – como objetivo demonstrar evolução, desenvolvimento e crescimento, seja das personagens, do enredo, do universo no qual a história está inserida. E, com toda sinceridade que me cabe, não sei se me lembro de algum outro livro que tenha feito isso de forma tão magnífica quanto esse.

Em Corte de Névoa e Fúria, acompanhamos a agora imortal Feyre (pequeno parênteses aqui, uma amiga minha certa vez comentou sobre como é equivocado o uso da palavra “imortal” em ACOTAR porque é dito que os feéricos são imortais mas há diversos pontos em que vemos que eles podem morrer sim, o equivoco vem de associar a palavra imortal ao fato de que eles demoram séculos e séculos para envelhecer) em sua nova vida ao lado de Tamlin, agora livre da maldição, na Corte Primaveril. Mas rapidamente fica claro que os acontecimentos Sob a Montanha deixaram cicatrizes profundas em Feyre, indo muito além da nova forma feérica que ela assumiu. Enquanto a parte feérica de Prythian ainda se recupera dos horrores vividos ao longo do reinado de Amarantha, Feyre precisa fazer escolhas que definirão o futuro dela e de toda a Corte ao mesmo tempo que uma nova ameaça se aproxima não só sobre o mundo feérico, mas ameaçando também o mundo humano.

E é aqui que eu destaco o trabalho incrível de desenvolvimento de Sarah J. Maas, porque ela é capaz de cumprir tudo o que era necessário para uma sequência. Corte de Névoa e Fúria expande o universo, nos mostrando novas partes de Prythian e novos feéricos e, principalmente, o livro traz uma evolução da protagonista. Não me leve a mal, eu gostei da Feyre do primeiro livro, mas na sequência a personagem segue sendo a si mesma, mas nós vemos o que tudo o que ela passou fez e faz com ela, nós vemos que ações tem consequência e nós somos capazes de entender as ações, Feyre não soa em momento algum como uma personagem vazia, ela segue tendo seu coração humano e nós percebemos e entendemos o que isso significa. Não que seja um traço específico da protagonista, ao longo do livro inteiro, nós vemos como os personagens seguem destinos que são plausíveis com suas personalidades e com o caráter de cada e, sinceramente, isso torna o livro tão mais prazeroso de ler. Não existem saídas de emergência, não existe deus ex machina para salvar o mundo.

Outro ponto fortíssimo desse livro são os personagens novos, se no primeiro nos contentamos, de modo geral, como Tamlin, Lucien e Alis, agora o círculo se expande e todos são ótimos. Ao longo do primeiro livro meu favorito foi com certeza Lucien, já durante esse eu nem sequer ousei tentar escolher um favorito (mentira, é o Azriel). Ainda existem toques de contos de fadas ao longo da história, mas são bem leves (vide a parte da Tecelã, entre outros), mas dessa vez é muito mais suave, ACOTAR cresce e se torna cada vez mais seu próprio universo.

Corte de Névoa e Fúria é o livro que garante que, se você ainda não se apaixonou pela série, vai se apaixonar e prepara muito bem o terreno para a conclusão dessa história – mas isso é assunto para semana que vem!

NOTA FINAL: ★★★★★ (5/5)

Até semana que vem e boa leitura!

Gabi.

#01 Resenha Corte de Espinhos e Rosas; Sarah J. Maas

Essa resenha NÃO contém spoilers!

Mais ou menos uma vez por ano eu descubro uma série nova de livros que me deixa em êxtase e, nesse ano tão difícil que tem sido 2020, fico feliz de ter finalmente me perdido entre as páginas de Corte de Espinhos e Rosas.

A capa me era familiar e já havia visto ela por aí, convenhamos, é linda. O nome também me era familiar já que uma das minhas amigas mais próximas da faculdade já conhecia a maravilha que é essa série e eu, até hoje, não sei porque eu não tinha dado uma chance à história ainda. Até que há alguns meses atrás uma outra amiga minha veio com um convite para participar de um clube do livro e eu disse por que não? afinal, com as aulas suspensas e trancada em casa pelo isolamento social, essa seria uma boa ideia para passar o tempo e ainda manter contato com pessoas importantes pra mim e quando vieram as sugestões de livros para a nossa primeira leitura e eu reconheci o tal ACOTAR (que é acrônimo para o título original do livro “A Court Of Thorns And Roses”) meu voto foi imediatamente para ele.

O livro conta a história de Feyre Archeron, uma jovem garota que, após a família perder a fortuna, se vê forçada a buscar a própria comida caçando na perigosa floresta nos arredores do lugar em que vive. Determinada a não passar fome durante o rigoroso inverno, certo dia Feyre se arrisca indo ainda mais adentro na floresta e acaba matando um imenso lobo. Um pequeno detalhe sobre o mundo de Feyre é que ele é dividido, ela vive na ilha de Prythian poucos quilômetros abaixo muralha que divide o mundo dos humanos do mundo dos feéricos, poderosas criaturas (constantemente comparados e por alguns até cultuados como deuses) que vivem além da muralha em um mundo desconhecido por Feyre e pelos outros humanos, já que, quinhentos anos antes, após uma grande guerra foi assinado um tratado separando os dois povos. Mas como as coisas não são sempre fáceis, é óbvio que a vida pacata de Feyre precisava de uma reviravolta digna de se ler e o tal do lobo não era bem um lobo, mas um feérico e, como pagamento pela dívida da morte dele, Feyre deve ir viver em uma das Cortes além da muralha. 

A ambientação da história de cara já é bem feita, o primeiro capítulo é intrigante e deixa aquele gostinho de quero mais que, na minha humilde opinião, é importantíssimo para prender a atenção de qualquer leitor. Sarah J. Maas sabe bem o que está fazendo enquanto nos conduz através dos capítulos, mas não vou negar que a primeira metade do livro foi um tanto desafiadora. Não sou a maior fã de romances e a primeira metade do livro parece um romance (vale dizer: um romance bem escrito) com toques de fantasia e que facilmente fui capaz de comparar com uma história já conhecida e amada por muitos: A Bela e a Fera. Não pense que por eu dizer que tive dificuldades quer dizer que a história é ruim ou coisa do tipo, a autora sabe dar um ritmo bom e ao longo dessa parte vai nos dando informações que são importantíssimas no que se segue. 

Não se pode reduzir o primeiro volume da trilogia a uma história de amor em um mundo fantástico, porque como eu disse um parágrafo atrás Sarah J. Maas sabe o que está fazendo. Passada a metade do livro, o relógio bate meia noite e a carruagem torna-se abóbora, o romance com tom de conto de fadas se transforma em uma aventura cheia de desafios de causar palpitações pelo futuro incerto que se apresenta diante da protagonista. O clima, antes tranquilo como um passeio por campos floridos, se torna eletrizante com a revelação de informações escondidas ou não na primeira parte. 

Corte de Espinhos e Rosas que começa interessante, torna-se fonte riquíssima de entretenimento e evolui para uma trama intensa que é, sem sombra de dúvida, uma das minhas melhores leituras do ano de 2020, não ouso dizer que seja a melhor já que as continuações desse livro incrível existem, mas ai-meu-deus, ACOTAR é incrível. A cada página, a cada capítulo que se passa, a história se torna melhor e o final é daqueles que deixa um gostinho de quero mais. 

Minha única ressalva no que se trata do livro é avisar: a classificação indicativa da história é +16. Acho que seria imprudente da minha parte falar sobre o livro sem deixar isso claro – que foi uma informação que eu não sabia quando comecei a ler e me surpreendi, porque eu não esperava. Tirando isso, Corte de Espinhos e Rosas é sem dúvida uma indicação ótima para aqueles em busca de uma nova aventura e recomendo que se sentem bem, peguem um copo de água e se preparem, pois é um livro de tirar o fôlego, arrepiar a pele e atacar nossos nervos da melhor forma possível. 

NOTA FINAL: ★★★★☆ (4/5)

(só porque sou chata e não costumo gostar de romance, logo não achei a primeira parte perfeita, mas vai ler ACOTAR, sério!)

Até semana que vem e boa leitura!

Gabi.