Essa resenha NÃO contém spoilers (exceto por um breve comentário devidamente sinalizado no último parágrafo, pode ler o resto sem se estressar!).
“10 anos de muito amor, alegria, felicidades, aprendizagens (suas e nossas) e muito orgulho.” É assim que começa a dedicatória escrita pela minha mãe e devidamente assinada por ela e pelo meu pai na primeira página do meu exemplar de O Ladrão de Raios, meu presente de aniversário quando completei 10 anos. Foi assim que começou a minha história com Rick Riordan e, 10 anos e mais de 20 livros depois, eu conclui mais uma das séries dele com a leitura de A Torre de Nero.
Imagine a minha felicidade quando finalmente consegui colocar as mãos em um exemplar de O Oráculo Oculto, o primeiro volume de As Provações de Apolo, lá em 2016, logo eu filha de Apolo. Quatro anos depois, ao ver a pequena caixa de papelão chegando na minha casa, fiquei tão feliz quanto, apesar de temer o fim.
As Provações de Apolo foi uma sequência de haicais e capítulos hilários e não nego que me sinto tentada a reler tudo, apenas para me divertir um pouco mais. Em A Torre de Nero vemos uma última vez como Apolo/Lester evoluiu muito ao longo da série e, mantendo o bom humor, o fim eminente chega.
Após enfrentar os dois primeiros imperadores romanos imortais e do mal do Triunvirato, a aventura que aguarda Apolo é ainda maior, pois agora é preciso ir atrás de Nero, imperador cruel e padrasto abusivo nas horas vagas. Além, é claro, de enfrentar a antiga arqui-inimiga Píton, a cobra assustadora que vem causando problemas para todas as formas de previsão do futuro presentes na imensidão do mitologia greco-romana e depois ainda dar um jeito de recuperar sua imortalidade e status divino. De volta a Manhattan e ao Acampamento Meio-Sangue, o ex-deus e sua mestra filha de Deméter têm uma nova profecia e a ajuda de alguns heróis já conhecidos (e alguns até então desconhecidos) na sua jornada contra Nero.
Eu adorei o livro. Ok, vamos ser sinceros, qualquer que me conheça ou já me ouviu falando sobre os livros de Riordan esperava isso. Acho que nunca li um livro dele que eu tenha dito nossa, odiei! e, acredite, eu li O Sangue do Olimpo e ainda gostei. Ao longo dos anos Riordan deu suas escorregadas, não posso negar, existem momentos em que ele escreve livros que são apenas bons, não algo que eu AME enlouquecidamente, mas, orgulhosamente, acompanhei o quanto ele evoluiu com os passar dos anos. Aos que não sabem, As Provações de Apolo foram sendo lançadas de forma intercalada com Magnus Chase e os Deuses de Asgard e ouso dizer que essas duas sagas são os melhores trabalhos do autor – mas vou deixar para falar de Magnus em outro momento, porque eu com toda certeza me estenderia e isso ia se tornar algo longo demais.
Ao longo dos cinco livros houve uma consistência maravilhosa de nível e qualidade do humor nos livros de Apolo, bem como desenvolvimentos muito bons dos personagens – principalmente Meg e Apolo. Destaco também a participação maravilhosa e perfeita de alguns dos meus queridinhos nesse último livro: Nico Di Angelo, Will Solace e Rachel Elizabeth Dare.
Qualquer leitor do nosso querido Tio Rick sabe que ele tem uma fórmula que é mais ou menos seguida em todos os seus livros e nesse ele a executa muito bem, fazendo um livro leve, divertido, com seus devidos momentos de tensão e uma história deliciosa. Definitivamente, A Torre de Nero vem como uma conclusão perfeita e ideal para a odisseia de Apolo.
Se você não quer receber spoilers é aqui que nos despedidos, até a próxima e boa leitura! Mas para aqueles que são ansiosos demais, simplesmente não ligam para spoilers ou apenas querem saber minha opinião aprofundada em pontos específicos da história, é só continuar descendo.
NOTA FINAL: ★★★★★ (5/5)
SPOILERS COMEÇAM AQUI!
Ok, vamos do princípio: eu surtei com Tio Rick nos entregando nas nossas mãos alguns detalhes para a próxima saga e isso é o que eu mais quero falar. Percebi os primeiros sinais quando surgiu a informação de que Quíron tinha saído para uma reunião sobre uma cabeça flutuante e um gato, fala sério, isso é uma óbvia referência aos livros de Magnus Chase e As Crônicas dos Kane, respectivamente. E toda a preocupação de Nico com um titã no mundo inferior liga direto com uma reclamação que eu já vi muito por aí: o titã Bob (anteriormente conhecido como Jápeto) que segue preso no Tártaro! E, no final então, Rachel entregando uma profecia novinha para Nico e Will. Eu não tenho palavras para descrever o quanto eu me sinto animada e ansiosa para isso, Nico Di Angelo é meu personagem favorito há longos 10 anos! Vai ser incrível ter ele finalmente ocupando o posto de protagonista.
Sobre Apolo: eu li o livro inteiro sem ter certeza do fim. Às vezes é possível ter uma ideia do que esperar, eu esperava que Apolo fosse vencer Nero e Píton, isso era óbvio. Mas a pergunta para a qual eu não sabia o que esperar era: Apolo voltaria a ser um deus? Apesar do meu desconforto imenso em imaginar o panteão com apenas 11 deuses, eu ainda enxergava de forma gritante a mudança pela qual Apolo passou que o colocou em um novo nível, totalmente diferente. Apolo cumpriu sua promessa a Jason, ele se lembrava em todos os momentos como é ser humano e a hesitação, a preocupação de ter ficado muito tempo apagado e ter perdido séculos, a promessa de permanecer ao lado de Meg. Apolo se tornou cada vez mais humano e ele estava pronto SIM para desistir de sua imortalidade se fosse por um bem maior. Apolo se tornou um personagem incrível e tenho certeza de que essa mudança vai influenciar diretamente o universo dos livros.
Por último, mas não menos importante, eu queria comentar a aparição final de Piper: eu não esperava isso, eu real não percebi nenhuma dica nos livros anteriores, então fiquei realmente surpresa (de uma maneira positiva) de ver Piper iniciando um novo relacionamento e esse relacionamento sendo com uma menina. Acho importantíssimo que Rick Riordan traga, mais uma vez, essa diversidade e representatividade em suas histórias, agora para uma das personagens centrais.
Eu me sinto triste por ter que deixar As Provações de Apolo para trás, de verdade. Foi uma série que eu gostei muito e eu amei ver outros filhos de Apolo (eu amo a Kayla e o Austin, sério), é um fato, Apolo por vezes nos livros anteriores teve atitudes fúteis, afinal ele é um dos deuses e, enquanto isso serviu de apoio cômico ao longo desses livros, isso também acabou servindo pra que ele fosse o protagonista mais interessante de se acompanhar. Falando especificamente do universo greco-romano, Percy se desenvolveu rapidamente como um herói, Jason já era um herói no começo de Heróis do Olimpo, mas Apolo foi um personagem muito mais fácil de se conectar porque ele não era um herói, ele se assustava com os monstros, era fraco, dependia da Meg pra sobreviver da mesma maneira como (provavelmente) todos nós (nunca se sabe, vai que você aí que tá lendo é capaz de lutar com espadas ou escalar uma parede que escorre lava como a do Acampamento Meio-Sangue), eu gostei muito de ter um protagonista que acima de tudo era humano. E fiquei imensamente satisfeita com a promessa final de Apolo: ele sempre estará aqui para nós.
Aos que chegaram até aqui, até a próxima semana e boa leitura!
Gabi.
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